quarta-feira, 2 de abril de 2014

Formação e mercado de trabalho do Geógrafo é tema de debate online - dia 08.04.2014


Formação e mercado de trabalho do Geógrafo é tema de debate online

Por Alexandre Scussel | 11h24, 27 de Março de 2014
Webinar gratuito vai acontecer no dia 8 de abril. Tema será aprofundado durante o I Encontro Brasileiro de Geógrafos, em São Paulo (SP)
A MundoGEO, líder na América Latina em soluções integradas de mídia e comunicação para o setor geoespacial e de localização, realizará um seminário online sobre a formação e o mercado de trabalho para os Geógrafo em Portugal e no Brasil. Com participação gratuita, o webinar vai acontecer no dia 8 de abril, a partir das 11h. Para participar, é necessário somente um computador ou dispositivo móvel com acesso à internet.
Formação e mercado de trabalho do Geógrafo é tema webinar Formação e mercado de trabalho do Geógrafo é tema de debate online
Temas relevantes e alguns desafios vão nortear as apresentações e discussões do webinar, tais como currículos dos cursos de graduação e pós das universidades, atuação das associações de geógrafos e ainda legislação e possibilidades deste profissional em Portugal e no Brasil.
Os palestrantes deste seminário online serão Tony Sampaio, Professor do Departamento de Geografia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Vice-Presidente da Aprogeo-PR; e Rui Pedro Julião, Professor do Departamento de Geografia da Universidade Nova Lisboa, Presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos.
Os participantes poderão interagir com os apresentadores, enviando suas questões e opiniões através do chat. Após o webinar, serão enviados certificados digitais de participação a todos que estiverem online na sessão.
I Encontro de Geógrafos
Para aprofundar ainda mais sobre o tema, no dia 8 de maio vai acontecer o I Encontro Brasileiro de Geógrafos: Formação, Legislação e Mercado de Trabalho, de forma paralela ao MundoGEO#Connect LatinAmerica 2014, Conferência e Feira de Geomática e Soluções Geoespaciais, que será realizada de 7 a 9 de maio de 2014, no Centro de Convenções Frei Caneca, em São Paulo (SP).
O evento terá o apoio e coordenação da Associação Profissional de Geógrafos no Estado de São Paulo (Aprogeo-SP), e contará com a participação de professores e profissionais de universidades e associações do Brasil. A participação no Encontro será gratuita e aberta a todos os interessados, basta se registrar para visitar a feira de produtos e serviços do MundoGEO#Connect 2014.
Serviço
Webinar: Formação e Mercado de Trabalho do Geógrafo em Portugal e no Brasil
Data: 8 de abril de 2014
Horário: Das 11h00 às 12h00 (hora de Brasília)
Inscrições: https://www2.gotomeeting.com/register/617734418

Seminários Online MundoGEO
A série de seminários online MundoGEO (webinars) foi projetada para fins educacionais e informativos, sobre tecnologia, cases e tendências no setor de geotecnologia. A metodologia de seminários à distância está alinhada às demandas globais por conteúdo profissional em um curto espaço de tempo, sem necessidade de deslocamentos, tanto dos palestrantes e mediadores como dos participantes.
Com mais de 120 seminários online realizados desde 2009, a MundoGEO tem média de 1.500 inscritos e 750 participantes por evento. Todos os webinars são gravados e os vídeos são disponibilizados poucas horas após o seminário, para que os participantes possam rever e também para os que não puderam conectar-se. Os arquivos – bem como a agenda dos próximos seminários online – estão disponíveis em www.mundogeo.com/webinar.

quinta-feira, 27 de março de 2014

465 anos de Salvador e a visão de um Geógrafo sobre essa cidade

Professor Pedro Vasconcelos,
um especialista em cidades

Um dos responsáveis pela implantação do programa de Pós-Graduação em Planejamento Territorial e Desenvolvimento Social da UCSal e professor do curso de Mestrado, o geógrafo Pedro Vasconcelos encaminhou para a Edufba a segunda edição ampliada do livro “Salvador – transformações e permanências (1549-1999)”, com lançamento previsto para o segundo semestre. Obra referência para quem estuda as mudanças ocorridas na capital baiana ao longo dos séculos. Pernambucano, que se mudou para Salvador na década de 1970, Vasconcelos também é professor da Universidade Federal da Bahia, tem título de Mestre pela Université Catholique de Louvain, na Bélgica, de Doutor (Ph.D) em Geografia pela Université d’Ottawa, Canadá e Pós-Doutorado na Universidade de Paris IV-Sorbonne. Foi diretor-superintendente da Conder nos anos 70, que na época era Companhia de Desenvolvimento da Região Metropolitana. Nessa entrevista, Vasconcelos fala das transformações ocorridas em Salvador e de sua obra.

Quais as raízes dessa expansão urbana desordenada em Salvador?
É difícil sintetizar diante de tantas coisas. Para começar Salvador está situada numa ponta. A forma da cidade não é muito boa, tem até discussão se é uma península ou se é um cabo, muitos dizem que é um cabo grande. Mas veja, não é uma cidade como São Paulo, que conta com 360 graus para sua expansão. Estamos muito limitados e a topografia é complicadíssima. Você tem a opção da orla atlântica, no norte e, por outro lado, a saída está bloqueada pela orla da baía. A expansão é complicada. No passado a cidade era voltada para a baía de Todos os Santos. E foi crescendo pelas cumeadas. As cumeadas eram valorizadas e os vales desvalorizados. Com a abertura dos vales nos anos 70, com Antonio Carlos Magalhães na prefeitura, a cidade ficou de cabeça para baixo. Me lembro quando cheguei aqui, os vales eram vazios. Mas foram se valorizando. E a cidade se tornou, basicamente, apoiada no automóvel e no ônibus, abandonando o sistema de bondes que era muito eficiente. Com os bondes se podia ir até o Santo Antonio Além do Carmo. Passava na Rua Chile, ia até o Rio Vermelho, por cima e por baixo, Liberdade, etc. Enfim, os bondes foram desmontados. Outro fator inconveniente é que não temos uma boa ferrovia. Fortaleza, por exemplo, tem vários ramais que entram na cidade. Aqui só temos um, que entra na beira d’água, não entra por cima. Na BR-324 deveria ter uma ferrovia. Então, a expansão da cidade poderia ser por base ferroviária.

Isso aumenta os problemas de mobilidade urbana...
Quando eu cheguei aqui, nos anos 70, para trabalhar na Conder, propus a ideia de colocar uma ferrovia entre a Avenida Paralela e a BR-324 e o crescimento da Paralela poderia ser ordenado, um pouco como Curitiba, adensando em torno dessas vias. Mas deu-se prioridade ao transporte rodoviário. Expandiu-se o bairro de Mussurunga, com o Centro Administrativo no meio. Salvador é uma das cidades mais difíceis que conheço, não só pelos problemas citados, mas pela desigualdade social, pela grande quantidade de invasões. Em São Paulo, o problema lá são os loteamentos populares precários, na periferia, mas os loteamentos são capitalistas, você paga um lote e a cidade se expande. Aqui existem invasões nessa topografia, vão subindo escadinhas, batendo laje. Imagine as condições sanitárias.

O traçado do metrô de Salvador vai resolver a mobilidade da cidade?
É complicado. Você desce de Cosme de Farias para pegar o metrô e depois tem que subir de novo. É um projeto muito mal direcionado. Eu ainda peguei um estudo sobre transportes na década de 70 e a ideia era fazer essa espécie de anel ferroviário com três penetrações em Salvador, incluído a Avenida Juracy Magalhães, a partir de dados de origem e destino. Então, a ideia de um metrô é para substituir o automóvel. É preciso perguntar para onde a população está indo. É para a Lapa ou para o Iguatemi? Mas, depois podem remendar (o traçado).

Então não resolve?
Eu achava que deveria ser um metrô completo, como em Lisboa. Faço muito contraponto com Lisboa, que tem uma topografia muito parecida com a nossa, não é uma cidade do primeiro mundo e lá o metrô, através das estações, liga a cidade alta à cidade baixa, por escadas rolantes. Você tem na Cidade Baixa os ministérios e as pessoas trabalham na área central, a área central não morreu. Tem bondes modernos elétricos, você pode ir para praia de trem com ar condicionado. Você vai para todo o litoral norte (o que seria o nosso Paripe, Periperi) em direção a Estoril. O pessoal vai com barracas de praia no trem. É humilhante. Ou seja, uma cidade com uma população de 3 milhões de habitantes, mais ou menos igual a Salvador, mesma aglomeração, você vê? Tem bonde antigo, bonde moderno, ônibus comum, funiculares (plano inclinado) metrô e os trens atravessando o país inteiro, parando na cidade, articulado com o metrô. Mas isso custa caro. Ruim é que estamos num momento em que o governo do Estado é do mesmo partido da presidente da República, mas não recebe nem a metade do que deveria. No Rio você vê a diferença. Pernambuco não quero falar porque sou suspeito. Salvador concentra muitos recursos em relação ao interior, mas é visível que a cidade está se deteriorando.

Salvador está inchando...
Salvador não tem nenhum contraponto. Você vai a Recife, tem Jaboatão, Olinda, são cidades que Recife desdobrou em cima. Belo Horizonte tem Betim. Salvador é tudo aqui. Você vai em Camaçari, que é relativamente rica, mas qual é a população? São Francisco do Conde também, cheia de dinheiro com a refinaria, e qual a população? As pessoas vão lá e voltam. Não se conseguiu fixar essas pessoas por lá. Por exemplo, (o condomínio) Vilas é uma alternativa, em um município intermediário, você tem um local agradável para se morar, que segurou alguma classe média, empresários. Mas de um modo geral era a Pituba que respondia por isso. Oferecendo ônibus subsidiado, nenhum operário quer ficar em Camaçari. Ele vai querer moram onde? Os filhos vão estudar onde? Então, Salvador virou uma cidade dormitório sem ganhar nada em troca. Está numa situação difícil, tem recursos baixos, tem uma diferença social muito grande, um relevo complicadíssimo. É um “abacaxi” para qualquer prefeito. E pior é que não tem, como em Minas, uma cidade que seja um contraponto a Salvador. Era para Vitória da Conquista, Barreiras, terem universidades grandes, como Uberlândia, Juiz de Fora, em Minas, onde a coisa é mais equilibrada.

Enquanto isso o interior é esquecido...
Aqui parece que o interior quase regrediu. E é difícil uma política de descentralização porque tudo está concentrado em Salvador. Vejas as ambulâncias que os prefeitos dos municípios do interior mandam diariamente para a capital. Milton Santos já dizia isso em relação à França. Tudo era concentrada em Paris, indústrias, universidades. Ele fazia esse paralelo, “Salvador e o deserto”. Não tem nada que faça um contrapeso a Salvador. O próprio eixo Ilhéus/Itabuna poderia fazer esse contraponto, mas o pessoal lá preferia morar no Rio ou Salvador (no apogeu do cacau). Acho que não houve uma política espacial. A gente tem um semiárido muito problemático e Salvador é muito atrativa. Mas agora está ficando o contrário, o trânsito complexo, a violência está muito grande, a gente sai de casa e não sabe se volta.

Os conceitos sobre as cidades de um modo geral e Salvador em particular estão na obra do senhor...
São dois momentos. O livro Dois séculos de pensamento sobre a cidade, foi o resultado do meu pós-doutorado. E, como eu dava aula em Arquitetura sobre teorias sobre a cidade, procurei estudar os textos originais, porque eu achava que aqui repete muito as “brigas de branco” (franceses contra alemães...). Aí pensei: vamos ver nos originais o que eles tratavam. Na época da primeira edição, 1999, não tinha internet. Então pensei em levar para a pós-graduação todo o material reunido, que interessa. Examinei mais de 200 textos que tratam das teorias sobre as cidades, que servem também para as minhas aulas na pós-graduação. O outro livro, Salvador – transformações e permanências (1549-1999) é a aplicação. É um estudo de como a cidade se desenvolveu, da fundação até 1999. Eu fiz a segunda edição agora, ampliada e atualizada. No livro faço uma espécie de periodização, baseado nos momentos em que houve cortes, mudanças e a partir de cada um desses momentos criei uma metodologia própria, em cada um deles trato do contexto histórico para o leitor se situar. Destaco os agentes fundamentais de cada período, a Igreja, o Estado, ou seja: os produtores da cidade. E, no final de cada capítulo, comparo as transformações espaciais que ocorreram por paróquia. Brotas, Santo Antonio, etc. Porque as paróquias antecederam os subsdistritos atuais. Você vai encontrar o papel do Estado, da Igreja, do que aconteceu na Penha durante cada período. Nessa segunda edição a sair, eu quase dupliquei os dados, na pesquisa que estou fazendo. A edição francesa, Salvador de Bahia (Brésil: Transformations et Permanences (1549-1999) saiu em e-book. Meus livros demoram um pouco de sair também porque sou perfeccionista. Não preciso de inimigos, não.

O tráfico de escravos foi uma das forças motrizes da economia baiana?
Sim. No início do século XIX, a economia agrícola estava decadente e os preços dos escravos eram altos. Uma das marcas dessa riqueza é o Corredor da Vitória, onde existiam mansões de traficantes como a casa que hoje é o museu (de arte do Estado) de José Cerqueira Lima, um dos grandes traficantes. O tráfico foi um agente fundamental da economia. Rendia tanto que (o historiador) Pedro Calmon exemplificou: com um navio de 200 escravos daria para comprar seis engenhos, na virada dos séculos XVIII/XIX.

Qual a marca mais evidente que Salvador tem do passado?
O ranço da escravidão. As diferenças sociais, o 'dar ordem'. As pessoas gritam, aqui, com os empregados, menino dá ordem. O peso de uma sociedade que não é igualitária, que não é democrática. Por exemplo, as pessoas (“importantes”) não querem entrar em fila, não querem estacionar no local adequado. É uma sociedade autoritária. Em São Paulo isso não ocorre. Por causa do peso dos emigrantes, que vieram com outra noção (de relações sociais). Aqui, em Salvador, não houve impacto da industrialização, da massa operária, do apito da fábrica, que é muito forte no ABC paulista, Porto Alegre e outras regiões. Então, a gente tem esse ranço do escravismo que é ruim para todos, dominantes e dominados. As relações clientelistas e o paternalismo estão presentes até hoje. Por exemplo, quando entrei na UFBA, nos anos 1980, algumas pessoas traziam empregados para trabalhar na Universidade, para fazer o seu mingau...”.

A pesquisa do senhor derruba vários mitos sobre a escravidão. Salvador é um caso à parte nas relações sociais durante aquele período?
Sim. Os mitos foram criados devido ao grande peso da escravidão na sociedade brasileira. Talvez devido à crueldade e à injustiça do sistema escravista. Contudo, ao analisar o censo de 1775 de duas importantes freguesias de Salvador, São Pedro e Penha, encontrei um quadro bem diferente da imagem que se tem. A análise dos dados mostra que não é possível conceber a existência de apenas duas categorias na sociedade daquele período, como as de senhor e de escravo, caracterizando-as como dominantes e dominados. A sociedade colonial urbana era bem mais complexa, pois nela conviviam brancos ricos, médios e pobres, inclusive numerosas mulheres chefes de família. Os libertos, pardos e pretos, também faziam parte da mesma sociedade colonial, tendo ocupações rentáveis. Muitos brancos eram pobres, não tinham escravos e trabalhavam, o que vai contra o outro mito da ociosidade dominante no período escravista.

quarta-feira, 26 de fevereiro de 2014

Brasil consome 14 agrotóxicos proibidos no mundo

Especialista indica que pelo menos 30% de 20 alimentos analisados não poderiam estar na mesa do brasileiro

Por Vasconcelo Quadros - iG São Paulo
Os indicadores que apontam o pujante agronegócio como a galinha dos ovos de ouro da economia não incluem um dado relevante para a saúde: o Brasil é maior importador de agrotóxicos do planeta. Consome pelo menos 14 tipos de venenos proibidos no mundo, dos quais quatro, pelos riscos à saúde humana, foram banidos no ano passado, embora pesquisadores suspeitem que ainda estejam em uso na agricultura.
Em 2013 foram consumidos um bilhão de litros de agrotóxicos no País – uma cota per capita de 5 litros por habitante e movimento de cerca de R$ 8 bilhões no ascendente mercado dos venenos
Dos agrotóxicos banidos, pelo menos um, o Endosulfan, prejudicial aos sistemas reprodutivo e endócrino, aparece em 44% das 62 amostras de leite materno analisadas por um grupo de pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT) no município de Lucas do Rio Verde, cidade que vive o paradoxo de ícone do agronegócio e campeã nacional das contaminações por agrotóxicos. Lá se despeja anualmente, em média, 136 litros de venenos por habitante.
Na pesquisa coordenada pelo médico professor da UFMT Wanderlei Pignati, os agrotóxicos aparecem em todas as 62 amostras do leite materno de mães que pariram entre 2007 e 2010, onde se destacam, além do Endosulfan, outros dois venenos ainda não banidos, o Deltametrina, com 37%, e o DDE, versão modificada do potente DDT, com 100% dos casos. Em Lucas do Rio Verde, aparecem ainda pelo menos outros três produtos banidos, o Paraquat, que provocou um surto de intoxicação aguda em crianças e idosos na cidade, em 2007, o Metamidofóis, e o Glifosato, este, presente em 70 das 79 amostras de sangue e urina de professores da área rural junto com outro veneno ainda não proibido, o Piretroides.
Na lista dos proibidos em outros países estão ainda em uso no Brasil estão o Tricolfon, Cihexatina, Abamectina, Acefato, Carbofuran, Forato, Fosmete, Lactofen, Parationa Metílica e Thiram.
Chuva de lixo tóxico
“São lixos tóxicos na União Europeia e nos Estados Unidos. O Brasil lamentavelmente os aceita”, diz a toxicologista Márcia Sarpa de Campos Mello, da Unidade Técnica de Exposição Ocupacional e Ambiental do Instituto Nacional do Câncer (Inca), vinculado ao Ministério da Saúde. Conforme aponta a pesquisa feita em Lucas do Rio Verde, os agrotóxicos cancerígenos aparecem no corpo humano pela ingestão de água, pelo ar, pelo manuseio dos produtos e até pelos alimentos contaminados.
Venenos como o Glifosato são despejados por pulverização aérea ou com o uso de trator, contaminam solo, lençóis freáticos, hortas, áreas urbanas e depois sobem para atmosfera. Com as precipitações pluviométricas, retornam em forma de “chuva de agrotóxico”, fenômeno que ocorre em todas as regiões agrícolas mato-grossenses estudadas. Os efeitos no organismo humano são confirmados por pesquisas também em outros municípios e regiões do país.
O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (Para), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), segundo a pesquisadora do Inca, mostrou níveis fortes de contaminação em produtos como o arroz, alface, mamão, pepino, uva e pimentão, este, o vilão, em 90% das amostras coletadas. Mas estão também em praticamente toda a cadeia alimentar, como soja, leite e carne, que ainda não foram incluídas nas análises.
O professor Pignati diz que os resultados preliminares apontam que pelo menos 30% dos 20 alimentos até agora analisados não poderiam sequer estar na mesa do brasileiro. Experiências de laboratórios feitas em animais demonstram que os agrotóxicos proibidos na União Europeia e Estados Unidos são associados ao câncer e a outras doenças de fundo neurológico, hepático, respiratórios, renais e má formação genética.
Câncer em alta
A pesquisadora do Inca lembra que os agrotóxicos podem não ser o vilão, mas fazem parte do conjunto de fatores que implicam no aumento de câncer no Brasil cuja estimativa, que era de 518 mil novos casos no período 2012/2013, foi elevada para 576 mil casos em 2014 e 2015. Entre os tipos de câncer, os mais suscetíveis aos efeitos de agrotóxicos no sistema hormonal são os de mama e de próstata. No mesmo período, segundo Márcia, o Inca avaliou que o câncer de mama aumentou de 52.680 casos para 57.129.
Na mesma pesquisa sobre o leite materno, a equipe de Pignati chegou a um dado alarmante, discrepante de qualquer padrão: num espaço de dez anos, os casos de câncer por 10 mil habitantes, em Lucas do Rio Verde, saltaram de três para 40. Os problemas de malformação por mil nascidos saltaram de cinco para 20. Os dados, naturalmente, reforçam as suspeitas sobre o papel dos agrotóxicos.
Pingati afirma que os grandes produtores desdenham da proibição dos venenos aqui usados largamente, com uma irresponsável ironia: “Eles dizem que não exportam seus produtos para a União Europeia ou Estados Unidos, e sim para mercados africanos e asiáticos.”
Apesar dos resultados alarmantes das pesquisas em Lucas do Rio Verde, o governo mato-grossense deu um passo atrás na prevenção, flexibilizando por decreto, no ano passado, a legislação que limitava a pulverização por trator a 300 metros de rios, nascentes, córregos e residências. “O novo decreto é um retrocesso. O limite agora é de 90 metros”, lamenta o professor.
“Não há um único brasileiro que não esteja consumindo agrotóxico. Viramos mercado de escoamento do veneno recusado pelo resto do mundo”, diz o médico Guilherme Franco Netto, assessor de saúde ambiental da Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz). Na sexta-feira, diante da probabilidade de agravamento do cenário com o afrouxamento legal, a Fiocruz emitiu um documento chamado de “carta aberta”, em que convoca outras instituições de pesquisa e os movimentos sociais do campo ligados à agricultura familiar para uma ofensiva contra o poder (econômico e político) do agronegócio e seu forte lobby em toda a estrutura do governo federal.
Reação da Ciência
A primeira trincheira dessa batalha mira justamente o Palácio do Planalto e um decreto assinado, no final do ano passado, pela presidente Dilma Rousseff. Regulamentado por portaria, a medida é inspirada numa lei específica e dá exclusividade ao Ministério da Agricultura _ histórico reduto da influente bancada ruralista no Congresso _ para declarar estado de emergência fitossanitária ou zoossanitária diante do surgimento de doenças ou pragas que possam afetar a agropecuária e sua economia.
Essa decisão, até então era tripartite, com a participação do Ministério da Saúde, através da Anvisa, e do Ministério do Meio Ambiente, pelo Ibama. O decreto foi publicado em 28 de outubro. Três dias depois, o Ministério da Agricultura editou portaria declarando estado de emergência diante do surgimento de uma lagarta nas plantações, a Helicoverpa armigera, permitindo, então, para o combate, a importação de Benzoato de Emamectina, agrotóxico que a multinacional Syngenta havia tentado, sem sucesso, registrar em 2007, mas que foi proibido pela Anvisa por conter substâncias tóxicas ao sistema neurológico.
Na carta, assinada por todo o conselho deliberativo, a Fiocruz denuncia “a tendência de supressão da função reguladora do Estado”, a pressão dos conglomerados que produzem os agroquímicos, alerta para os inequívocos “riscos, perigos e danos provocados à saúde pelas exposições agudas e crônicas aos agrotóxicos” e diz que com prerrogativa exclusiva à Agricultura, a população está desprotegida.
A entidade denunciou também os constantes ataques diretos dos representantes do agronegócio às instituições e seus pesquisadores, mas afirma que com continuará zelando pela prevenção e proteção da saúde da população. A entidade pede a “revogação imediata” da lei e do decreto presidencial e, depois de colocar-se à disposição do governo para discutir um marco regulatório para os agrotóxicos, fez um alerta dramático:
“A Fiocruz convoca a sociedade brasileira a tomar conhecimento sobre essas inaceitáveis mudanças na lei dos agrotóxicos e suas repercussões para a saúde e a vida.”
Para colocar um contraponto às alegações da bancada ruralista no Congresso, que foca seu lobby sob o argumento de que não há nexo comprovado de contaminação humana pelo uso de veneno nos alimentos e no ambiente, a Fiocruz anunciou, em entrevista ao iG, a criação de um grupo de trabalho que, ao longo dos próximos dois anos e meio, deverá desenvolver a mais profunda pesquisa já realizada no país sobre os efeitos dos agrotóxicos – e de suas inseparáveis parceiras, as sementes transgênicas – na saúde pública.
O cenário que se desenha no coração do poder, em Brasília, deve ampliar o abismo entre os ministérios da Agricultura, da Fazenda e do Planejamento, de um lado, e da Saúde, do Meio Ambiente e do Desenvolvimento Agrário, de outro. Reflexo da heterogênea coalizão de governo, esta será também uma guerra ideológica em torno do modelo agropecuário. “Não se trata de esquerdismo desvairado e nem de implicância com o agronegócio. Defendemos sua importância para o país, mas não podemos apenas assistir à expansão aguda do consumo de agrotóxicos e seus riscos com a exponencial curva ascendente nos últimos seis anos”, diz Guilherme Franco Netto. A queda de braços é, na verdade, para reduzir danos do modelo agrícola de exportação e aumentar o plantio sem agrotóxicos.
Caso de Polícia
“A ciência coloca os parâmetros que já foram seguidos em outros países. O problema é que a regulação dos agrotóxicos está subordinada a um conjunto de interesses políticos e econômicos. A saúde e o ambiente perderam suas prerrogativas”, afirma o pesquisador Luiz Cláudio Meirelles, da Fiocruz. Até novembro de 2012, durante 11 anos, ele foi o organizador gerente de toxicologia da Anvisa, setor responsável por analisar e validar os agrotóxicos que podem ser usados no mercado.
Meirelles foi exonerado uma semana depois de denunciar complexas falcatruas, com fraude, falsificação e suspeitas de corrupção em processos para liberação de seis agrotóxicos. Num deles, um funcionário do mesmo setor, afastado por ele no mesmo instante em que o caso foi comunicado ao Ministério Público Federal, chegou a falsificar sua assinatura.
“Meirelles tinha a função de banir os agrotóxicos nocivos à saúde e acabou sendo banido do setor de toxicologia”, diz sua colega do Inca, Márcia Sarpa de Campos Mello. A denúncia resultou em dois inquéritos, um na Polícia Federal, que apura suposto favorecimento a empresas e suspeitas de corrupção, e outro cível, no MPF. Nesse, uma das linhas a serem esclarecidas são as razões que levaram o órgão a afastar Meirelles.
As investigações estão longe de terminar, mas forçaram já a Anvisa – pressionada pelas suspeitas –, a executar a maior devassa já feita em seu setor de toxicologia, passando um pente fino em 796 processos de liberação avaliados desde 2008. A PF e o MPF, por sua vez, estão debruçados no órgão regulador que funciona como o coração do agronegócio e do mercado de venenos.
Fonte: http://ultimosegundo.ig.com.br/

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Eleição 2014 - APROGEO- BA

Convocação


Em conformidade com as disposições legais aplicáveis e o estatuto da Associação Profissional dos Geógrafos da Bahia, também designada APROGEO-BA, a Comissão Eleitoral, composta por Vanilda Alvim Resende - CPF 419.280.165-53, Harlan Rodrigo Ferreira da Silva – CPF 032.897.995-30 e Elaine Gomes Vieira de Jesus – CPF 047.322.695-24, bacharéis em Geografia e devidamente associados, de acordo com o edital de convocação de Comissão Eleitoral para as Eleições da Associação Profissional dos Geógrafos da Bahia - APROGEO-BA vem por meio desta estabelecer as regras do processo eleitoral para a gestão 2014/2016. O prazo de inscrição de chapas para diretoria, conselho fiscal e conselho administrativo, de forma independente, será de 10 de fevereiro de 2014 a 17 de fevereiro de 2014 por meio do correio eletrônico [vanialvim@gmail.com] a partir do envio de formulário preenchido devidamente. A data das eleições será 20 de fevereiro de 2014, no auditório do Instituto de Geociências da UFBA, das 16hs às 20hs.
Ressaltamos ainda que todos os membros da chapa devem ser geógrafos associados à APROGEO e que só poderão ocorrer novas associações até o dia anterior da votação, ou seja, 19 de fevereiro de 2014, além de que as chapas inscritas podem indicar um representante para a fiscalização do processo eleitoral.

Atenção: A ficha de inscrição poderá ser solicitada através do e-mail  vanialvim@gmail.com.

Comissão Eleitoral - 2014



terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Edital de Convocação de Comissão Eleitoral para as Eleições da Associação Profissional dos Geógrafos da Bahia – APROGEO BA



Edital de Convocação de Comissão Eleitoral para as Eleições da
Associação Profissional dos Geógrafos da Bahia – APROGEO BA

A Diretoria da APROGEO BA torna público o Edital de convocação para formação de Comissão Eleitoral para as Eleições da Diretoria Executiva, do Conselho Fiscal e do Conselho Administrativo para o biênio 2014 - 2016

1. Inscrições
1.1 Poderão se inscrever associados fundadores e/ou plenos adimplentes com a associação;
1.2 Os interessados deverão enviar e-mail para aprogeobahia@googlegroups.com ou aprogeoba@gmail.com expressando seu interesse em fazer parte da Comissão Eleitoral.
1.3 A Comissão Eleitoral será composta por 3 membros:
      I. Presidente da Comissão Eleitoral;
      II. 2 Auxiliares.

2. Das disposições da Comissão Eleitoral
2.1 Ficará responsável pela inscrição de cada Chapa;
2.2 Será responsável por definir prazos e datas para o processo; inscrições das chapas, eleições, contagem de votos, reunião de ata de posse.
2.3 Estará presente na mesa de eleições, o presidente da Comissão Eleitoral, junto aos dois auxiliares.
2.4 A contagem dos votos deverá ser realizada pelo presidente da Comissão Eleitoral com acompanhamento de apenas 1 (um) representante de cada chapa logo após o fim da votação.
2.5 O resultado deverá ser fixado em ata de posse devidamente assinado pela Comissão Eleitoral.

3. Das disposições finais
3.1 O processo eleitoral será organizado e conduzido por Comissão Eleitoral, constituída até 10 (dez) dias após a publicação do Edital de Convocação
3.2 Fica garantida a participação de um (1) fiscal de cada chapa inscrita, para acompanhar os trabalhos da Comissão, como forma de garantir ampla transparência ao processo eleitoral.
3.3 O Presidente da Comissão Eleitoral será eleito na primeira reunião da Comissão e o mandato da Comissão Eleitoral extingue-se com a posse dos eleitos.

4. Calendário
Inscrições: 22 de janeiro a 01 de fevereiro de 2014

-- 
Saudações Geográficas
Diretoria 
E
xecutiva da APROGEO-BA

http://aprogeoba.blogspot.com/
http://www.wix.com/aprogeo/ba

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Iª Assembleia Geral Extraordinária - 20/01/2014




Iª Assembleia Geral Extraordinária




Convocação

Em conformidade com as disposições legais aplicáveis e o estatuto da Associação Profissional dos Geógrafos da Bahia, também designada APROGEO-BA, o presidente da associação convoca a todos os sócios para se reunirem em Assembleia Geral Extraordinária, no dia 20 de Janeiro de 2014, às 19:00h, a ser realizada no auditório do Instituto de Geociências, situado na Avenida Anitta Garibaldi – Salvador –BA.
       Mudança no estatuto
       Eleições
       O que ocorrer
Se à hora indicada não houver quórum, a Assembleia funcionará meia hora depois no mesmo local, com qualquer número de sócios, e a mesma ordem de trabalhos.



Salvador, 19 de novembro de 2013
Daniel de Albuquerque Ribeiro
Presidente