segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

IV - Assembleia Geral Ordinária - APROGEO-BAHIA

IV - Assembleia Geral Ordinária


Convocação


Em conformidade com as disposições legais aplicáveis e o estatuto da Associação Profissional dos Geógrafos da Bahia, também designada APROGEO-BA, o Presidente da associação convoca a todos os sócios para se reunirem em Assembleia Geral, no dia 19 de dezembro de 2013, às 19:00h, a ser realizada no auditório do Instituto de Geociências - UFBA, situado na Avenida Anitta Garibaldi – Salvador – BA.
A Assembleia terá como pauta:
•       Balanço de atividades e avaliação da Diretoria.
•       Definição de Comissão eleitoral para as eleições da próxima diretoria.
•       Definição de data para encerramento das inscrições de chapas.
•       Definição de data das eleições.
•       Prestação de Contas.
•       O que ocorrer.
Se à hora indicada não houver quórum, a Assembleia funcionará meia hora depois no mesmo local, com qualquer número de sócios, e a mesma ordem de trabalhos.

Salvador, 19 de novembro de 2013

Daniel de Albuquerque Ribeiro
Presidente

domingo, 3 de novembro de 2013

CURSO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS COM ArcGIS 10

CURSO DE SISTEMAS DE INFORMAÇÕES GEOGRÁFICAS COM ArcGIS 10


Data: 29 e 30 de novembro
Horário: 8h às 12h - 13h às 18h
Local: Laboratório de Informática
Universidade Salvador (UNIFACS) - Campus Feira de Santana

Maiores informações e inscrições:

quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Projeto propõe trocar nome da avenida Adhemar de Barros em Salvador

  • "A ideia é ressignificar o nome de uma avenida tão importante", diz Kim Guerra
Foi após um almoço em família que o estudante Kim Guerra, 19 anos, teve a ideia que virou projeto de lei em tramitação na Câmara de Salvador: alterar o nome da avenida Adhemar de Barros, localizada em Ondina, para avenida Milton Santos.
"Eu perguntei para o meu pai, Enéas Guerra, quem foi Adhemar de Barros. Ele começou a me explicar sobre a biografia dele, inclusive a fama de corrupto", relata Kim.
Ao saber detalhes da história de vida de Adhemar, o estudante do bacharelado interdisciplinar de arte da Universidade Federal da Bahia (Ufba) lançou, via internet, uma petição propondo mudar o nome da avenida.
Incomoda Kim o fato de o endereço de um dos principais campus da Ufba ter o nome de um político tão polêmico e que, até onde se sabe, não teve ligações tão fortes com a Bahia a ponto de justificar a homenagem.
Além disso, no campus fica o Instituto de Humanidades, Artes e Ciências Professor Milton Santos (Ihac).  
Ex-governador e ex-prefeito de São Paulo, Adhemar de Barros (1901-1969) teve o nome envolvido em diversas denúncias de corrupção, inclusive ficou conhecido como "o político que rouba, mas faz".  
Já o baiano Milton Santos foi um dos grandes intelectuais da área de ciências humanas e escreveu textos que revolucionaram os estudos de geografia.   
 
Rede - A petição online recolheu cerca de 900 assinaturas. Kim Guerra também criou camisetas defendendo a mudança de nome, blog  e um perfil no Facebook. 
O movimento começou em 2012 e  levou o vereador Gilmar Santiago (PT)  a apresentar um projeto de lei para mudar o nome da avenida.
"Salvador tem ruas com nomes de pessoas que não possuem nenhuma relação com a Bahia. No caso dessa avenida, é mais complicado ainda", diz  o vereador.
Para ele, a mudança para Milton Santos será uma justa homenagem ao intelectual baiano. "Ele é referência quando se fala em globalização e geografia, pensada como uma ciência que também inclui o humano", diz.
O vereador confia que vai encontrar  apoio entre os colegas para fazer o projeto ser aprovado.
"O projeto está na Comissão de Constituição e Justiça. Espero que todos os vereadores  percebam a importância dessa mudança", completa.
Com o apoio do vereador Waldir Pires (PT), que integra a comissão, ele já pode contar: "Acho uma iniciativa brilhante e tem todo o meu apoio. Fui contemporâneo de Milton na Faculdade de Direito".
Waldir, inclusive, está dando entrada em um projeto de lei que proíbe a adoção em locais públicos de nome de pessoas que tenham violado direitos humanos ou desviado dinheiro público.
O arquiteto e historiador Francisco Senna afirma que fica com o pé atrás quando o assunto é substituição de nomes de locais públicos. Mas, neste caso, considera que há uma causa justa. "É óbvio que Milton Santos  possui bem mais relevância para homenagear uma das principais avenidas da cidade do que Adhemar de Barros".
Senna destaca a única homenagem que conhece a Milton Santos em espaço público na capital baiana: uma escola municipal em Mata Escura. "Esta escola foi construída na administração de Antônio Imbassahy", relata.
Senna diz, ainda, que não tem informações sobre os motivos da homenagem ao ex-governador paulista. "Já busquei esta informação e não encontrei, inclusive recentemente, quando estava escrevendo um texto sobre a região de Barra e Ondina".

Milton Santos deu novo foco ao estudo da geografia

Milton Santos nasceu em Brotas de Macaúbas (a 600 km de Salvador) e mudou-se para a capital ainda criança. Durante dez anos (1954-1964), integrou o quadro de jornalistas de A TARDE.
Graduado em direito pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), fez  doutorado em geografia na Universidade de  Strasbourg, na França, em 1958.
Professor da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) e da Ufba, Milton Santos deixou o Brasil em 1964 devido ao golpe militar.
Nesse período, começou a carreira internacional de dedicação ao magistério. Foi professor convidado nas universidades de Toulouse, Bordeaux,  Sorbonne, Massachusetts Institute of Technology (MIT), dentre outras.
Clássico - De volta ao Brasil, em 1977 ensinou na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e na Universidade de São Paulo (USP), de onde foi professor titular até a aposentadoria.
Seu  livro Por Uma Geografia Nova – Da crítica da geografia a uma geografia crítica tornou-se um clássico.
Cleidiana Ramos

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A vingança da Geografia


A geografia não morreu, por sinal, goza de boa saúde e retorna como preocupação acadêmica de estudos e cotidiana, na vida de todos nós


A geografia acabou. A geografia está morta. O espaço já não é mais uma preocupação, uma questão a ser resolvida. Com as tecnologias de comunicação, as fronteiras geográficas não existem mais. Esses eram os prognósticos e futurologias de alguns teóricos, cientistas e jornalistas, a partir dos anos 1990. 

Mas isso não se comprovou e tampouco se efetivou. A geografia não morreu, por sinal, goza de boa saúde e retorna como preocupação acadêmica de estudos e cotidiana, na vida de todos nós. 

No último mês de março, o Jornal The Economist publica o artigo The Internet. The revenge of geography (Internet. A vingança da Geografia), com algumas pistas que comprovam que a virtualidade não acabou com o espaço físico, ao contrário, demonstra que existe hoje uma interconexão entre eles, para facilitar encontrar dados, "costurando os mundos, supostamente separados entre virtual e físico". 

Inclusive, é sempre bom lembrar que se a Internet é vista como uma "nuvem", um mundo digital paralelo e onipresente, seus usuários vivem em um mundo físico, onde as limitações e fronteiras geográficas são constantes e inevitáveis. 

Várias tecnologias são destacadas no artigo para comprovar as costuras feitas até agora. Tecnologias de geolocalização, que mostram a localização física do usuário, já são comuns em celulares, tablets e outros dispositivos móveis. São várias as empresas de serviços de geolocalização: Quova, Digital Envoy, NetGeo, InfoSplit através dos Protocolos de Internet (IP em inglês). 

O uso dessa tecnologia atinge desde a localização de pessoas conectadas até fornecedores de comércio eletrônico e empresas de leilões que querem dificultar a venda de produtos ilegais nos países. É o caso dos cassinos que são proibidos em alguns países. Com o uso da tecnologia georeferencial, sites podem impedir o jogo online nesses países. O mundo artístico não fica de fora, pois por meio da geolocalização é possível fazer a gestão dos direitos de transmissão de músicas e vídeos. 

Quer encontrar um local com Wi-Fi disponível? Sim, é possível. Sites como 80211hotspots.com atuam como diretórios globais de Wi-Fi. De maneira simples, digitando o nome de uma rua ou o CEP, aparece uma listagem com os pontos Wi-i abertos. Em algumas cidades norte-americanas, os entusiastas Wi-Fi produziram mapas mostrando a localização de hotspots. 

Uma experiência física foi feita pelo designer inglês Matt Jones: Ele pintou nas calçadas da cidade vários símbolos que indicam se o sinal de Wi-Fi é forte, fraco e se há sinal. A proposta era mostrar mundos paralelos entre a internet e o físico. 

Outra forma de combinar a geografia do virtual com a do concreto são as propostas e programas da MetaCarta, empresa estadunidense que desenvolveu o software geo-parser, que localiza dados e referências geográficas - como países, cidades, estados, marcos e monumentos famosos - em documentos, sendo buscados em um dicionário contendo 10 milhões de verbetes. Por exemplo, se a palavra Sorocaba aparece perto de Votorantim, é bem provável que o documento seja das imediações dessas cidades, o passo seguinte é aplicar um "geomarcador". A empresa informa um dado interessante: cerca de 80% dos documentos de texto contêm alguma referência geográfica. 

Uma utilidade urbana interessante são os grafites digitais sem fio. Será que aquele restaurante tem boa comida? A resposta pode estar no grafite digital deixado por clientes que já comeram neste restaurante. Tudo o que você precisa fazer é acessar todos esses grafites "deixados virtualmente no entorno do restaurante e que estão flutuando ao redor", o que pode ser feito a partir do seu celular.O pesquisador californiano, caminhando pela cidade, deparou com uma planta da qual ele queria mais detalhes e gostaria que nela tivesse um Post-it digital (aqueles lembretes colantes e coloridos encontrados nas papelarias) com as informações sobre a planta, isso é conhecido como WorldBoard. Afirma o pesquisador: "A WorldBoard é, em certo sentido, maior do que a world wide web, porque permite ao ciberespaço (o mundo digital dos bits) sobrepor e registrar no espaço real (o mundo físico de átomos).". 


Em 2012, Robert D. Kaplan, um jornalista estadunidense e correspondente estrangeiro, lançou o livro The Revenge of Geography: What the Map Tells Us About Coming Conflicts and the Battle Against Fate, que podemos traduzir como "A Vingança de Geografia: O que o mapa nos diz sobre a vinda dos conflitos e a batalha contra o destino", no qual, através de relatos e teorias tradicionais da geografia, baseadas nos climas e relevos e nos geógrafos que debateram a geopolítica, o autor demonstra a importância dos fatores físicos na formação dos diversos povos e os conflitos vividos, e como a geografia permanece sendo um poderoso pilar dos eventos mundiais. 

A proposta de analisar os conflitos a partir de fatores climáticos e físicos parece uma provocação, mas o autor deixa claro que não pretende afirmar que esses fatores determinam os povos, mas que contribuem para uma ou outra iniciativa. Mas deixemos este para uma segunda revanche. 

Paulo Celso da Silva é professor e coordenador do Programa de Mestrado em Comunicação e Cultura da Uniso (paulo.silva@prof.uniso.br)