terça-feira, 13 de dezembro de 2011

UMA VISÃO ATUAL DA GEOGRAFIA

O geógrafo, no Brasil, tem atendido às suas responsabilidades sociais, exercendo suas prerrogativas legais quanto a reconhecimentos, levantamentos, estudos e pesquisas de caráter físico-geográfico, biogeográfico, antropogeográfico e geoeconômico no planejamento físico-espacial; nos problemas atinentes aos recursos naturais do País; na interpretação das condições hidrológicas das bacias fluviais; no zoneamento geo-humano com vistas aos planejamentos geral e regional; na pesquisa de mercado e intercâmbio comercial em escala regional e inter-regional; na caracterização ecológica e etológica da paisagem geográfica e problemas conexos; na política de povoamento, migração interna, imigração e colonização de regiões novas ou de revalorização de regiões de velho povoamento; no estudo físico-cultural dos setores geoeconômicos destinados ao planejamento da produção; na estruturação ou reestruturação dos sistemas de circulação; no estudo e planejamento das bases Físicas e geoeconômicas dos núcleos urbanos e rurais; no aproveitamento, desenvolvimento e preservação dos recursos naturais; no levantamento e mapeamento destinados à solução dos problemas regionais e na divisão administrativa da União, dos Estados, dos Territórios e dos Municípios. Tais prescrições são constantes da Lei no. 6.664, de 26 de junho de 1979.

O recente desenvolvimento das Geotecnologias, nomeadamente o Geoprocessamento, o Sensoriamento Remoto, o Posicionamento Global e a Cartografia Digital, todos apoiados no crescimento exponencial do uso do Processamento de Dados, teve grande impacto nos estudos ambientais, tanto do ângulo técnico como do científico. No caso da Geografia, ocorreu um considerável incremento na aplicabilidade dos conhecimentos geográficos, daí resultando um razoável crescimento nas oportunidades de trabalho para os geógrafos, em geral exercendo, em empresas públicas e privadas, atividades de pesquisa, planejamento e gestão de ambientes, atualmente consideradas como diretamente úteis para a sociedade.


Deve ser lembrado que o desenvolvimento das Geotecnologias trouxe para muitos outros profissionais a atenção para com a territorialidade dos dados ambientais, característica esta indispensável para a geração do propalado e pouco praticado apoio à decisão quanto ao uso, amplo ou restrito, dos recursos ambientais. Realmente, nenhuma ação eficiente pode prescindir de um referencial. No caso dos dados ambientais, este referencial tem que incluir, no mínimo, características de localização, extensão de ocorrência e relações de proximidade e funcionamento.

Para o geógrafo, considerar a territorialidade dos fenômenos ambientais representa a atenção com o próprio objeto central de suas preocupações, voltada para a aquisição do conhecimento ambiental, axiomaticamente geográfico. Para evitar interpretações tendenciosas, entenda-se que a sentença anterior não significa que este conhecimento seja uma prerrogativa profissional e excludente do geógrafo, mas sim que é uma afirmação teórica que deriva da própria natureza intrínseca dos fenômenos ambientais.

O uso das Geotecnologias, praticado por geógrafos ou por outros profissionais, tornou possível o tratamento praticamente simultâneo das diversas classes de fenômenos ambientais de forma conjugada com a distribuição espacial destes mesmos fenômenos. Em termos codificados, através do Geoprocessamento, passou-se a considerar, ao mesmo tempo, a taxonomia e a territorialidade dos fenômenos ambientais. Em termos mais diretos, isto permitiu, em escala formidavelmente mais detalhada, a consideração das características intrínsecas e funcionais dos fenômenos ambientais, juntamente com suas localizações, extensões de ocorrência e relações de proximidade, que são elementos fundamentais para o apoio à decisão.

Ao tratamento integrado, espacial e taxonômico dos dados ambientais tem sido adicionada a possibilidade de tratar imensas massas de dados, típica do processamento de dados. Paralelamente foi incrementada a aplicação de técnicas altamente exigentes quanto ao desempenho computacional, a partir do crescente interesse de numerosos segmentos profissionais, por vezes guiados por objetivos excludentes. São exemplos, felizmente pouco freqüentes, as perorações, disputas e pleitos corporativistas que pontuam algumas manifestações quanto a postuladas abrangências de campos profissionais pertencentes às categorias básicas do Sistema CONFEA/CREAs, ou seja, a Engenharia, a Arquitetura e a Agronomia.

O objetivo da integração dos diversificados e abundantes tipos de dados ambientais tem sido atingido pelo uso maciço do processamento de dados. É imprescindível, definitivamente, que estes dados sejam adequadamente conjugados. Executar esta conjugação exige conhecimentos diversificados, a serem integrados cuidadosamente, para que haja a geração da informação ? o ganho de conhecimento ? postuladamente objetivada pelas ações de pesquisa, planejamento e gestão do ambiente.


Os grifos apostos ao final do parágrafo anterior se justificam para salientar que esta postura não se restringe às atividades acadêmicas. Pelo contrário, é agindo como profissional em atividades associadas ao funcionamento da sociedade que o geógrafo está sendo crescentemente solicitado a participar do tecido sócio-econômico da atual pós-modernidade, em cooperação com profissionais das Engenharias, das Ciências Ambientais e Sociais e da Economia, normalmente com maciço emprego das Geotecnologias.


Em conseqüência, em qualquer matriz de conhecimentos a ser adotada para normatizar o exercício profissional, é fundamental que sejam consideradas as peculiaridades da profissão de geógrafo, permitindo e mesmo estimulando, como prescrição autorizadora que é a mencionada matriz, as possibilidades de diálogo entre este profissional e outros oriundos das diversas formações abrangidas pelo Sistema CONFEA/CREAs.


Sombreamentos não devem ser anatematizados. É inteiramente cabível que existam atribuições em sombreamento, para que sejam constituídas equipes interdisciplinares nas quais seja evitado que poucos falem, muitos ouçam e as atividades e conclusões não se concatenem por falta de entendimento mútuo (outro grifo de alerta, razoavelmente sutil, quanto a perspectivas excludentes).


Neste ponto desta apresentação talvez caiba uma pergunta. O geógrafo tem que se tornar um super técnico ou pesquisador, capaz de ter domínio completo de uma grande parte do saber humano? Não. Esta tarefa hercúlea é deixada para outros tipos de profissionais que, tendo sido prestigiados pela sociedade desde sempre, se disponham a encetar este interminável trabalho de Sísifo. Ao geógrafo basta ter capacitação para o diálogo técnico-científico com diferentes profissionais, para que possa colaborar no esforço de entendimento da realidade ambiental, basilar para seu planejamento e gestão.


A cooperação de geógrafos no combate a epidemias pode ser considerada um exemplo imediato e esclarecedor. Previsões de probabilidades de ocorrências epidêmicas podem ser feitas considerando-se as características Físicas (relevo, clima, entre outras), bióticas (vegetação, macro e micro faunas, entre outras) e sócio-econômicas (níveis de educação e de renda, entre outras). O simples enunciado destas características já sinaliza quanto à necessidade de serem os dados a elas referentes tratados de forma exaustiva e integrada.


A integração acima citada pode ser executada por procedimentos tornados realmente disponíveis somente com o apoio maciço do processamento eletrônico de dados. Constitui exemplo destes procedimentos a varredura analítica e integração locacional, típica da moderna análise ambiental por Geoprocessamento, que propicia estimativas revestidas da necessária acuidade quanto a direções e intensidades de propagação epidêmica.


Na condição de co-responsável por estimativas do tipo acima citado, o geógrafo necessita conhecer um mínimo dos campos de conhecimento abrangidos, de forma a poder dialogar com os outros profissionais e, eventualmente, colaborar de forma relevante nas estimativas de progressão espacial e envolvimentos outros da possível propagação epidêmica. Evidentemente o geógrafo não vai substituir o médico, o engenheiro sanitarista ou o meteorologista nas investigações quanto aos relacionamentos dos surtos epidêmicos registrados com as condições da Saúde Pública, da rede de esgoto ou das trocas de energia da atmosfera por ocasião de surtos analisados. Se for necessário, poderá aprofundar-se na investigação de alguns destes campos de conhecimento citados e produzir um trabalho especializado relevante. Mas por certo o geógrafo deverá e poderá participar da construção de um quadro
ambiental explicativo, que congregue informações de diferentes origens e permita prognósticos razoáveis quanto a possíveis propagações espaciais da epidemia ocorrente ou prevista. Como um corolário importante para a compreensão do papel do geógrafo na gestão ambiental deve ser ressaltado o uso eficiente dos recursos de registro e análise das ocorrências de fenômenos ambientais, como seriam as características dos surtos epidêmicos acima citados.


O geógrafo, como já foi mencionado anteriormente, muitas vezes é chamado a contribuir para projetos inter, multi ou transdisciplinares com uma visão integradora quanto aos tipos de variáveis e suas respectivas formas de obtenção e armazenamento. É desnecessário dizer da responsabilidade com que tal tarefa deve ser conduzida, uma vez que as variáveis sugeridas precisam ter poder diagnóstico quanto aos objetivos do planejamento e da gestão de ambientes. Tal capacidade deriva da preparação acadêmica do geógrafo, mas também é oriunda do embate com a realidade gerado por sua atuação profissional. Esta relação sinérgica entre o exercício profissional e a formação acadêmica está acontecendo diante dos olhos de todos que participam da geração de matrizes de conhecimentos, como um pouco de reflexão poderá facilmente indicar.


O detalhamento das formas de participação do geógrafo na identificação e tratamento de variáveis ambientais talvez seja adequadamente informativa. Trata-se da montagem de bases de dados georreferenciados, componente fundamental de sistemas de informação geográfica. Esta montagem não se restringe ao lançamento dos registros em uma base cartográfica, para recuperação sob a forma de mapeamentos impressos e destinados à clássica inspeção visual.

Os mapas não mais existem apenas para serem visualmente examinados. Sob a forma digital, são estruturas de complexidade variável e destinadas ao armazenamento, recuperação e análises geradoras de informação. Nesta perspectiva operacional, os dados ambientais forçosamente devem ser inspecionados com a maciço emprego de processamento de dados. A varredura extensiva de dados cartográficos armazenados sob a forma digital permite a identificação exaustiva de relações funcionais e topológicas que se suspeitem existentes na realidade ambiental.


Depreende-se que contribuir, 'a priori', isto é, no início dos trabalhos de coleta de dados ou mesmo antes, para a garantia do poder diagnóstico das variáveis a serem envolvidas em futuros planejamentos e gestões ambientais não é tarefa tão trivial como pode parecer à
primeira vista. O profissional que a este mistér se dedicar precisa conhecer variados campos de conhecimento, podendo eventualmente exercer funções ditas pertencentes a áreas de sombreamento inter-profissional. Mas vale a pena recordar que a preparação profissional do geógrafo está inclinada para o trabalho de integração dos dados e geração da informação relevante, sendo relativamente marginal sua participação naquela área sombreada. Deve-se ressaltar, entretanto, que estas funções são importantes para a interação direta com novos problemas ambientais, do que pode resultar o eventual aporte de novos métodos e técnicas e mesmo a renovação de perspectivas teóricas para a própria Geografia e para as atividades ligadas à gestão ambiental. O exemplo imediato é o uso de recursos de representação de ambientes a partir de estruturas de metabases e metadados ambientais, que baseia a arquitetura do sistema Google Earth e similares, e a própria geração e uso de sistemas de informação geográfica, de ampla difusão, atualmente, em escala planetária.


Em parágrafos anteriores estiveram implícitas ou foram explicitadas relações da Geografia com os campos da Engenharia, da Meteorologia, da Cartografia e Agrimensura e da Saúde Pública, este propositalmente escolhido como exemplo mais detalhado, para que possa ser examinado com isenção. Ilações semelhantes podem ser elaboradas com, praticamente, todos os campos do conhecimento abrangidos pelo valioso esforço de criação de matrizes do conhecimento. Pode ser citada a Agronomia, onde são encontrados eventuais sombreamentos entre a Economia Agrária com os tradicionais campos de investigação e contribuições para a gestão territorial da chamada Geografia Agrária.


Outro exemplo de sombreamento reside no Planejamento Urbano e Regional, onde pontificam, ao lado de contribuições de grande envergadura feitas por arquitetos, os trabalhos de geógrafos interessados em problemas de violência urbana, reforma agrária e tratamentos dos chamados assentamentos precários.


Como apêndice, pode ser feita uma consideração curiosa referente ao problema inverso do tratado até aqui, neste texto. Consiste no problema de encontrar profissionais de outras áreas realmente habilitados a exercer as funções legais dos geógrafos como integrador de dados e gerador de informação ambiental. O geógrafo, em princípio, parte dos conhecimentos setorializados e os integra espacialmente, enquanto a maioria dos profissionais está fundamentalmente preocupada com atividades especializadas. Para estes profissionais pode se tornar difícil considerar e integrar dados dos numerosos campos do conhecimento técnico-científico ligados ao ambiente (Cartografia, Geologia, Meteorologia, Economia, Antropologia, entre muitos outros).


O geógrafo ou qualquer outro profissional pode apropriar-se dos desenvolvimentos tecnológicos em seu benefício. A Geografia se ressentia de meios para analisar dados (escassos até cerca de cinco décadas atrás) e sintetizar informações ambientais. Tendo contribuído significativamente para o desenvolvimento do Geoprocessamento e com o crescimento espetacular do uso desta tecnologia, verificado nas duas últimas décadas, a deficiência de meios citada acima não mais é sentida pelo geógrafo. Existe grande disponibilidade de dados sobre, praticamente, qualquer parte do planeta. Esta disponibilidade está ligada ao Geoprocessamento e ao aparecimento da rede de comunicação planetária WWW e das estruturas de fornecimento dados e informação do tipo Google e Google Earth. A estes desenvolvimentos cabe acrescentar a existência de numerosos tipos de sistemas territoriais de informação, muitos dos quais gratuitos, o desenvolvimento de redes de satélites de observação, juntamente com a disseminação dos grupamentos de interessados em se comunicar sobre os mais variados assuntos, do tipo Orkut e similares.


O geógrafo, com uma base teórica desenvolvida ao longo de milênios e francamente expandida e experimentada ao longo dos últimos dois séculos, a partir da abundância atual de dados e da criação de meios de tratamento da miríade de dados hoje disponíveis, pode se dedicar à criação de novos conceitos, métodos e técnicas. Tal dedicação, entretanto, exige formação acadêmica adequada e, principalmente, o exercício profissional vivificador e validador dos conhecimentos adquiridos. Eis uma das razões para que não sejam negadas, na matriz de conhecimentos ora em gestação, oportunidades de trabalho para geógrafos, mesmo que em áreas de sombreamento inter-profissional.


Garantindo o exercício profissional do geógrafo pela própria matriz de conhecimento gerada no Sistema CONFEA/CREAs (em corroboração às disposições da Lei 6.664/79, naturalmente), através da identificação e reconhecimento de suas habilitações, ter-se-á dado continuidade à formação de profissionais aptos a executar a integração dos diversificados dados ambientais. Por pertinente e esclarecedor quanto a temas profligados neste texto, afirma-se que tal tarefa não é exclusiva de geógrafos, sendo executada por outras profissões, sendo exemplo mais imediato a de biólogo, que normalmente centram-se em aspectos mais ligados a fitofisionomias e interações flora/fauna.


Dando a devida atenção à matriz de conhecimentos acima referida pode-se constatar que, por sua própria natureza e construção, ela é respeitadora das peculiaridades associadas às diversas formações e variados exercícios profissionais que caracterizam o Sistema CONFEA/CREAs. Permitir a liberdade de criação tem sido o apanágio da iniciativa de geração desta nobre matriz, o que indica estarem nela ausentes ou minimizadas, em nome do interesse coletivo, as tentativas de confinamento do exercício profissional legalmente constituído.


Pela própria natureza do saber geográfico são geradas atribuições profissionais segundo um amplo espectro. Espera-se ter contribuído, com o presente texto, para esclarecer alguns pontos merecedores de atenção na definição das habilitações dos geógrafos. É possível que perdurem certas dúvidas relativas a possíveis habilitações elencadas na matriz de conhecimentos da Geografia, em particular quanto ao exercício de atividades específicas. Quanto a este ponto vale salientar que, consideradas isoladamente, atribuições específicas representarão os pontos de comparação entre o uso de métodos e técnicas contrastantes, cabendo ao geógrafo promover a inclusão geo-ambiental de contribuições técnicas e científicas, com o que será obtida a valorização do conhecimento assim adquirido. Eventualmente poderá o geógrafo, como acontece em muitas outras profissões, atuar como especialista, uma vez demonstrada a sua aceitação pelo próprio mercado de trabalho, atualmente exigente quanto ao domínio dos conhecimentos julgados necessários.


No elenco de conhecimentos relativos ao exercício profissional do geógrafo, já apresentado para exame ao Sistema CONFEA/CREAs, foi contemplada a possibilidade do exercício de atividades específicas por geógrafos, com base na densidade dos conhecimentos prescritos (e não apenas com base na Lei 6664/1978). Acredita-se que as especificações da matriz de conhecimentos apresentada permitem escolhas tranqüilas de opções quanto a habilitações, por estarem corretamente baseadas em conhecimentos adquiridos. Para o geógrafo, foi considerada necessária uma formação básica adequada em Matemática, Física, Química, Estatística, Informática e nas Geotecnologias. Igualmente foram objeto de consideração os campos das Geociências e meio-ambiente, juntamente com os conhecimentos basilares de Geoantropologia e Geoeconomia, a serem considerados quando da identificação e reconhecimento das habilitações profissionais do geógrafo. Todo este conjunto de conhecimentos permite ao geógrafo a criação das estruturas de análise e integração dos dados para gerar informação, permitindo também que o geógrafo possa exercer atividades profissionais específicas, normalmente - mas não necessária ou exclusivamente - através de estudos posteriores.


Sem incidir sobre exageros indesejáveis, pode ser afirmado que cabe ao geógrafo (sem qualquer laivo exclusivista, mesmo que legalmente esboçado ou constituído) compor quadros explicativos e de prognose quanto à realidade ambiental, trazendo de seus próprios conhecimentos e de diversas outras origens os aportes informativos adequados. Tais funções exigem contatos, conhecimentos, diálogos, interação enfim, com profissionais destas outras origens, até mesmo para que sejam aquilatadas a qualidade e a aplicabilidade de tais informações. O exercício profissional como especialista, dentro de áreas de sombreamento, é uma forma pragmática de obtenção desta interação entre o geógrafo e outras profissões, sendo este raciocínio, em princípio, extrapolável para outros sombreamentos, algumas vezes encarados como totalmente indesejáveis, 'in limine', por alguns profissionais.


Também com possíveis aplicações a várias profissões, talvez caiba uma outra colocação quanto a sombreamentos. Um critério excludente, baseado em atitudes corporativistas, se adotado desavisadamente como norteador do tratamento de situações de sombreamento inter-profissional, pode prejudicar intensamente as possibilidades de interação multi-profissional, com resultados desastrosos. Corre-se o risco, por exemplo, de se considerar o ambiente como uma entidade acadêmica, para a qual são dirigidas atitudes condescendentes e medidas paliativas por parte das chamadas forças sociais produtivas. Cabe lembrar que tal perspectiva conduziu ao alarmante estado de depredação ambiental em que se vive atualmente, diariamente documentada em todas as mídias. Entretanto, atitudes excludentes quanto a sombreamentos podem ser entendidas como uma atitude tíbia, por algumas mentes menos compreensivas,. Pode ser argumentado, afinal, que o desempenho profissional múltiplo nas áreas de sombreamento, em princípio, deverá fazer a seleção dos realmente habilitados.


Com relação à atuação do geógrafo, é possível considerá-la como uma busca pela conciliação entre as atividades produtivas, necessariamente modificadoras do ambiente, e as necessidades imperiosas de proteção ambiental. Com sua preparação multifacetada, abrangendo as variáveis Físicas, bióticas e sócio-econômicas do ambiente, o geógrafo está apto a enfrentar os problemas ambientais segundo uma ótica integradora e capaz de transformar dados ambientais em informação relevante para apoio a decisões. Colocar peias no exercício das funções do geógrafo, através de tentativas de preservação de privilégios no exercício de atribuições em áreas de sombreamento, é uma iniciativa que, além de ser baseada em um temor infundado, inclusive pelo pequeno número de geógrafos que podem vir a se interessar por trabalhos especializados, é um desserviço à sociedade atual, ávida pelo entendimento e por ações racionais, de âmbito profissional, no equacionamento, solução e monitoramento dos problemas ambientais.


Jorge Xavier da Silva
Especialista Convidado
Geógrafo

IBGE divulga evolução da divisão territorial brasileira

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga a partir desta sexta-feira, 9 de dezembro, a publicação “Evolução da Divisão Territorial do Brasil 1872 – 2010″.

A publicação da Diretoria de Geociências do IBGE disponibiliza mapas políticos que cobrem o período que vai de 1872, ano do primeiro recenseamento cobrindo todo o país, até 2010, quando se realizou o censo mais recente. O estudo apresenta textos analíticos contextualizando o processo histórico de divisão do território estadual e municipal, desde o Brasil colonial até a atualidade, além de mapas e dados sobre a população total (de 1872 a 2010), escrava (1872) e por situação do domicílio (urbana e rural, de 1940 a 2010).

Composta por dois textos, o trabalho recupera a história dos primeiros séculos de ocupação territorial e apresenta a legislação referente ao mar territorial, estados e municípios. Informações como municípios que possuíam mais escravos que pessoas livres em 1872 ou ainda o aumento do número de municípios, que em 1872 era de apenas 642, podem ser encontradas. Continuação: http://www.ibge.gov.br/home/presidencia/noticias/noticia_visualiza.php?id_noticia=2045&id_pagina=1